Tudo posso naquele que me fortalece. (Filipenses 4:13)

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O que causa mais danos, inflação ou recessão?


Medidas que as autoridades tomam para travar a inflação, como o aumento do custo dos créditos, travam a economia. Se as taxas de juros forem muito altas e o impacto econômico muito profundo, isso pode gerar uma recessão. Getty Images É preciso apagar o fogo antes que ele fique fora de controle. Esse parece ser o lema dos países atingidos pela gigantesca inflação que assola o mundo ? e que recentemente bateu recordes de décadas. ?Parece leite, mas não é?: como crise 'empobreceu' a fórmula dos produtos lácteos do Brasil Lucro da Eletrobras cai 45% no 2º tri por efeito cambial e provisões A Alemanha está com o nível mais alto de inflação em quase meio século ? e lida com uma crise energética derivada da guerra na Ucrânia. Os Estados Unidos e o Reino Unido alcançaram o aumento de preços mais elevado dos últimos 40 anos. A América Latina, por sua vez, também está sob pressão devido à escalada do custo de vida. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, teve queda de 0,68% em julho, após ter registrado alta 0,67% em junho. Com isso, o país registrou uma deflação - inflação negativa -, a primeira depois de 25 meses seguidos de alta de preços. No ano, porém, a inflação acumulada é de 4,77%. No acumulado nos últimos 12 meses a taxa desacelerou para 10,07%, contra os 11,89% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Ou seja: os "bombeiros" da economia estão correndo para conter esse fogo antes que ele se torne incontrolável. Os especialistas encarregados pela política fiscal e monetária dos países tentam buscar uma solução, mas não podem se descuidar de outra fonte de perigo: a recessão. Getty Images Mas o que a inflação alta tem a ver com a recessão econômica? Quando a inflação é desencadeada, os bancos centrais aumentam as taxas de juros (o custo do crédito) para desencorajar a compra de bens ou serviços. É uma política que busca reduzir o consumo, com a esperança de que os preços caiam. Com esse mecanismo, a inflação fica mais controlada, mas, ao mesmo tempo, o crescimento econômico é desacelerado. Se a desaceleração for muito grande, porém, a economia paralisa e as chances de o país entrar em recessão aumentam. Getty Images Diante desse dilema, as autoridades têm que trabalhar numa verdadeira corda bamba e se perguntar a todo momento: até quando é possível aumentar os juros sem sufocar demais a economia? Esse equilíbrio precário entre inflação e recessão é o que faz os economistas tentarem apagar um incêndio sem jogar mais combustível no outro. Daí vem a pergunta: a inflação é pior do que a recessão econômica? O mal menor "Não é tanto o que é pior, mas o que é a primeira coisa a ser enfrentada. Acredito que um país que quer manter a estabilidade macroeconômica não pode arcar com uma inflação alta", argumenta Juan Carlos Martínez, professor de economia na IE Escola Universitária de Negócios, na Espanha. "Uma recessão é um mal menor do que uma inflação persistente na economia", avalia o especialista, numa entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC para a América Latina. Benjamin Gedan, vice-diretor do Programa Latino-Americano do Wilson Center e professor da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, também defende que a redução do custo de vida é uma prioridade. "As duas coisas são ruins, mas a inflação é mais difícil de superar em muitos casos", aponta. A inflação alta crônica, acrescenta, impõe muitos custos à sociedade ? o que não está relacionado apenas à crise econômica. "Isso também cria tensões sociais, pois os trabalhadores exigem aumentos salariais recorrentes, os proprietários impõem aumentos de aluguel e os comerciantes decidem aplicar repetidas elevações de preços", exemplifica Gedan. José Luis de la Cruz, diretor do Instituto de Desenvolvimento Industrial e Crescimento Econômico (IDIC) do México, entende que o controle da inflação pode levar muitos anos, enquanto as recessões, pelo menos nos últimos anos, têm sido superadas com mais rapidez. "Neste momento, é fundamental conter a inflação porque as experiências dos últimos 50 anos nos mostram que uma espiral inflacionária acaba por desencadear uma recessão", lembra o economista. "Você pode enfrentar uma recessão sem que isso implique em inflação, mas, no outro caso, a inflação acaba levando a uma crise." Os Estados Unidos, por exemplo, "estão pagando o preço de um erro", avalia de la Cruz, porque as autoridades deixaram passar muito tempo antes de aumentar os juros para controlar o consumo e o investimento. Dessa forma, a demanda permaneceu alta e os preços continuaram subindo, sem eliminar os incentivos para continuar gastando, analisa o especialista. O que acontece na América Latina? Assim como em outras partes do mundo, a América Latina também sofre com a onda inflacionária. Em países como o Chile, a inflação atingiu a marca histórica de 13,1% (a maior em quase três décadas), seguida por Brasil e Colômbia, onde essa taxa supera os dois dígitos. Países como Peru e México, onde a espiral inflacionária é um pouco menor, também sofreram as consequências de preços elevados, que estão deixando marcas profundas nos setores mais vulneráveis da sociedade. A Argentina, que apresenta um problema crônico de inflação, tem uma ferida aberta com um aumento de 64% no custo de vida anual. Diante desse cenário, os bancos centrais da região têm aplicado aumentos históricos nas taxas de juros para tentar aliviar a pressão (ou diminuir a força do fogo). Em tempos econômicos bons, muitos governos costumavam estabelecer uma meta de inflação na faixa de 2% a 4%. Porém, com o custo do crédito em disparada, essas metas foram deixadas de lado, pelo menos por enquanto. O Brasil, por exemplo, está com taxas de juros de 13,7%, enquanto no Chile o custo dos empréstimos subiu para um máximo histórico de 9,7%. Restam poucas opções para as pessoas que aspiravam comprar uma casa com empréstimo bancário, ou para os empreendedores que planejavam renovar equipamentos, expandir as operações ou iniciar novos projetos de investimento. Claramente, o tempo do "dinheiro barato", ou seja, dos empréstimos mais acessíveis, ficou no passado. O aumento do custo do crédito tem sido tão rápido e profundo que os economistas esperam ver os primeiros resultados disso em breve. De fato, em países como os Estados Unidos e o Brasil, a inflação deu uma trégua e diminuiu ligeiramente, aumentando as expectativas de que os preços poderiam ter atingido o patamar máximo. Quem são os mais afetados pela inflação? "O pior de tudo é que a inflação tem o efeito de um imposto sobre os pobres, que têm pouca poupança e geralmente trabalham no setor informal, com baixa capacidade de proteger o poder de compra", explica Gedan. Dada a pobreza generalizada na América Latina e o gigantesco setor informal, os impactos da inflação são particularmente graves na região. Nesse sentido, as autoridades não hesitaram em aumentar as taxas de juros, especialmente devido aos episódios de escalada de preços na América Latina nas últimas décadas. "Dados os traumas recentes ??da região com a hiperinflação e o desejo de preservar a credibilidade conquistada com muito esforço dos bancos centrais, não é surpreendente ver uma ação rápida em muitos países para conter os aumentos de preços", diz o especialista. O debate nos Estados Unidos Embora a inflação e a recessão sejam duas ameaças econômicas, nos Estados Unidos o debate se concentrou em quanto e com que velocidade o Federal Reserve (o equivalente ao banco central em outros países) deve continuar a aumentar as taxas para impedir a escalada dos preços. Criticado por não ter agido antes, o órgão embarcou em uma série de aumentos de juros neste ano. E como esses aumentos freiam a economia, a pergunta que muitos estão fazendo é se o país entrará ou não em recessão. Os EUA já passam pelo que se conhece como "recessão técnica", o equivalente a dois trimestres consecutivos de contração econômica. Mas nos EUA, esses números negativos não representam uma verdadeira recessão, de acordo com os padrões usados pelo país. Quem define esse estágio econômico por lá é uma organização independente chamada National Bureau of Economic Research (NBER). A instituição conta com a participação dos principais economistas, que se reúnem regularmente e analisam todas as variáveis ??que podem afetar um processo de recessão. A definição que eles usam está longe de ser uma fórmula matemática: "[A recessão é] Um declínio significativo na atividade econômica que se espalha por toda a economia e dura mais do que alguns meses." A abordagem do comitê de economistas é que, embora cada um de três critérios (profundidade, espalhamento e duração) deva ser contemplado individualmente até certo ponto, as condições extremas relacionadas a um critério podem compensar parcialmente as indicações mais fracas dos outros. Justamente por não ser uma fórmula infalível, há muito debate nos Estados Unidos sobre se o país está realmente caminhando para uma recessão ou se não chegará a esse estágio. As mais altas autoridades do país (responsáveis ??pela política fiscal e monetária) têm se mostrado otimistas, argumentando que o mercado de trabalho continua forte. Em julho, a inflação caiu ligeiramente (de 9,1% para 8,5%), dando um certo alívio nas previsões que consideravam inevitável uma recessão no país.

O novo casamento de luxo: orçamento dobra e festas passam de R$ 1 milhão com aumento de alimentos e flores


Preço para uma festa bacana em São Paulo saiu de R$1,5 mil por convidado em 2019 para R$ 3,5 mil por cabeça no pós-pandemia. Buffet nobre, champanhe de qualidade e muitas (muitas!) flores ajudam a compor o orçamento. Influenciadora Juliana Motta conta que casamento quadruplicou de valor Casamento de luxo é um negócio caro. Mas ficou muito mais depois da pandemia. O preço do pacote básico de um casamentão com tudo do bom e do melhor saiu de R$ 1,5 mil por convidado para pelo menos R$ 3,5 mil. A estimativa é da planejadora de casamentos de luxo Ana Julia Figueiredo, que atua no ramo há 16 anos. Nesses valores, não estão inclusos os gastos pessoais, como vestido da noiva, cabeleireiro e noite de núpcias. Detalhes dos casamentos de alto luxo Divulgação/Duo Borgatto F "Falo: dá pra fazer uma festa legal com R$ 4 mil por convidado. Numa primeira entrevista com os noivos, eu já espanto", ela brinca. Mas o aumento tem explicação. Primeiro, tudo parou. Depois, tudo subiu. Agora, tudo abriu e continua subindo. Essa junção de uma demanda forte (muita gente querendo casar e fazer festa) com preços elevados fez os valores dos serviços e produtos do setor de festas explodirem, diz. A influenciadora Juliana Motta está noiva e foi pega de surpresa pelos novos preços. Pedida em casamento em 2019, ela teve o planejamento interrompido em 2020. De lá pra cá, para fazer o mesmo casamento que tinha planejado, em torno de R$ 60 mil, ela vai precisar desembolsar 4 vezes mais que o programado. E isso porque a planilha nem fechou ainda. Veja os principais vilões do orçamento dos casamentos hoje g1 Comer e beber tá caro, né? Os preços do buffet aumentaram 50%. Se antes era possível servir um menu bom e básico a partir de R$ 280 por pessoa, agora é preciso desembolsar pelo menos R$ 420. O básico tem uma carne branca, uma vermelha, uma massa, uma guarnição (risotto ou vegetais), salada, ilha de antepastos, sobremesas e coquetel de bebidas não alcoólicas. Já no mais elaborado, pode ter foie gras, polvo e trufas. As bebidas alcóolicas também têm sua parte no aumento da conta. "Hoje a gente paga num champanhe a partir de R$ 400. Antes, conseguia por R$ 300. E vai muita, uma média de consumo de uma garrafa a cada dois convidados. E ao mesmo tempo que tem que ter o bar de caipirinhas, com muitos drinks, o que custa mais R$ 100 ou R$ 120 por convidado. A partir de", elenca. E ainda tem vinho e uísque. Além disso, há os detalhes: convite, calígrafo, sandálias para os convidados dançarem na festa, lembrancinhas, louças e decoração de mesa e valet para os carros elevam muito os custos. Quando se coloca todos os gatos numa planilha, os casamentos de luxo conseguem ultrapassar o valor de R$ 1 milhão. "Eu falo morrendo de vergonha, porque é muito dinheiro. Mas o caro é relativo. A gente tem que tomar cuidado quando fala com alguém para não soar esnobe", se preocupa Figueiredo. Flor, um espetáculo à parte Arranjos florais feitos por André Pedrotti Divulgação / Helson Gomes Dá pra casar sem flores? Bom, dá, mas elas são o charme da decoração do evento. Quando se trata do mercado de luxo, ?o céu é o limite para decoração e flor?, diz Figueiredo. Juliana é uma dessas noivas que fica nas nuvens quando o assunto é decoração. Depois de sofrer para achar um lugar à beira-mar que acomodasse seus convidados, ela levou outro susto. "Sem dúvida, o que mais subiu foi a decoração. Ela ia sair em torno de R$ 30 mil, o que já é bastante. Mas tudo subiu, tá todo mundo casando em 2022 e 2023. E todo mundo quer decorar com flor, que está escasso aqui no Rio de Janeiro. Então realmente triplicou de valor. Minha cerimonialista cansa de falar que eu quero um casamento cheio de flor, por isso está caro", conta. O aumento expressivo desse mercado pesou no orçamento das festas. Antes da pandemia, a planejadora diz que para organizar um casamento para 400 pessoas, gastava, em média, R$ 200 mil com flores e decoração. Hoje, o valor chega a R$ 380 mil. "Ah, mas será que não dá pra achar mais barato?". Aí que tá: esses são os preços do mercado, não de um fornecedor específico, garante Figueiredo. Um dos fornecedores dela é André Pedrotti, um dos floristas mais procurados para festas de luxo no Brasil. E ele conta detalhadamente como tudo que a gente vê todos os dias (dólar alto, problema nas cadeias de distribuição, combustíveis disparando) convergiram para que o preço das flores aumentasse 300% em média: Royalties: Primeiro, você sabia que é preciso pagar royalties sobre as flores? Ele conta que há três laboratórios de rosa no mundo que desenvolvem os botões e cobram uma graninha de quem planta. E o preço desse royalty acompanha o dólar. Como o valor da moeda subiu muito neste ano, encareceu também a produção. Fertilizante: Os insumos para garantir a produção das flores, como adubo e fertilizantes, são importados (ou seja, comprados em dólar) e também subiram. Combustíveis: E, para coroar, as estufas para manter a refrigeração das flores são mantidas com diesel ou carvão. Combustíveis tiveram um boom de preços após a guerra da Ucrânia. Leilão: Tem muita gente querendo comprar. E todos os compradores disputam as flores no leilão de Holambra, interior de São Paulo, que acontece apenas três vezes por semana. Se você não der o lance rápido e alto, corre o risco de ficar sem as flores no final do "pregão" virtual. O preço da condução das flores também é alto. Elas andam em caminhões refrigerados de Holambra a São Paulo. E, da capital, se espalham para o local das festas. Para decorar um casamento em Manaus no mês passado, Pedrotti ocupou 70% de um avião com flores. E os preços? As rosas são as flores usadas em maior volume nas festas. O botão dela passou de R$ 0,30 para R$ 3. As tulipas também ajudam a fazer volume. E um maço foi de R$ 22 para R$ 35. As orquídeas são as queridinhas. O galho dela aumentou de R$ 12 para R$ 30. E as peônias são as mais disputadas, porque dão pouco e são charmosas. E mais caras: um botão custa de R$ 25 a R$ 30. Rico também chora por desconto Mesmo quem tem muito dinheiro para bancar um festão também chora por descontos e sente o impacto dos aumentos, ou porque compara orçamento com festas anteriores ou com as de amigos. Mas mesmo com os preços altos, Ana Julia diz que nunca fez tanta festa quanto agora. "Ainda tem clientes de casamentos de 2020 e 2021. E a ânsia de clientes novos querendo celebrar a todo custo. As pessoas voltaram a casar às sextas, começaram a casar aos domingos, parou de ser só no sábado. Eu tenho um casamento na quinta que vem." Ruim para alguns, bom para outros. Ela diz que um casamento para 400 convidados gera 200 empregos, entre produção, montagem e a festa em si.

?Parece leite, mas não é?: como crise 'empobreceu' a fórmula dos produtos lácteos do Brasil


Misturas com soro de leite, amido, gordura vegetal, açúcar e aditivos químicos ?invadiram? as prateleiras dos supermercados e são confundidas com os produtos ?tradicionais?. Entenda o que está por trás da mudança e o que ela pode significar no bolso, na saúde e no preparo de receitas. Versões de lácteos com soro de leite, amido, gordura vegetal, açúcar e aditivos se tornaram muito mais comuns nos mercados brasileiros GETTY IMAGES/BBC Nos últimos meses, os consumidores brasileiros mais atentos notaram uma mudança importante no Moça, uma das marcas de leite condensado mais conhecidas e utilizadas no país. Junto ao produto tradicional, cuja embalagem é azul, as gôndolas dos supermercados foram inundadas por uma nova versão, na cor marrom. Na parte inferior do rótulo, é possível entender melhor a diferença entre as opções. Enquanto a caixinha azul traz o leite condensado convencional (integral ou desnatado), a marrom é uma "mistura láctea condensada de leite, soro de leite e amido". Leite e ovos mais caros e em menor quantidade: entenda por que produtores estão diminuindo oferta Bebida láctea à base de soro de leite é vendida junto com leite integral e causa confusão entre consumidores; Procon notifica empresa E esse não foi o único produto lácteo a apresentar uma nova fórmula nos últimos meses: de acordo com especialistas e relatos dos próprios consumidores, houve um aumento na oferta de opções que substituem parte do leite por outros ingredientes, como o soro de leite, o amido, o açúcar, a gordura vegetal e os aditivos químicos, como conservantes e aromatizantes. Entenda por que o leite está tão caro Algumas marcas, por exemplo, transformaram o creme de leite em "mistura de creme de leite". Já o queijo ralado virou "mistura alimentícia com queijo ralado". O doce de leite, por sua vez, foi substituído pelo "doce de soro de leite sabor doce de leite". Em alguns mercados, até o leite tradicional compete nas gôndolas com novas bebidas lácteas. "Do ponto de vista nutricional, isso pode ser danoso", alerta Rafael Claro, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "A estratégia é trocar um alimento in natura por ingredientes mais baratos e com baixa densidade de nutrientes." "Ou seja: a pessoa compra um produto que parece leite, mas não é", resume. Que fique claro: a venda dessas opções está regulamentada nos órgãos competentes, como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e, a princípio, não fere nenhuma lei. O grande problema, de acordo com os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, é que vários desses alimentos lácteos "alternativos" têm uma embalagem muito similar à original, trazem no rótulo elementos que remetem ao leite ? como vacas, pastos, tonéis e líquidos brancos ? e são colocados nas mesmas prateleiras que os produtos tradicionais. Para completar, nem sempre as novas opções são muito mais baratas ? ou a diferença em relação aos itens convencionais é de apenas alguns centavos. Novos produtos nas prateleiras BBC O que está por trás do fenômeno A pesquisadora Kennya Beatriz Siqueira, da Embrapa Gado de Leite, em Juiz de Fora (MG), explica que as movimentações recentes da indústria dos produtos lácteos têm a ver com a crise financeira, a inflação e a escassez de matéria-prima no mercado. "Nos últimos dois anos, tivemos um aumento de 62% no custo de produção do leite", calcula. A especialista explica que toda a cadeia produtiva sofreu com o aumento dos preços: os custos da ração que alimenta as vacas, da energia elétrica que mantém o funcionamento dos currais e do próprio combustível que transporta esse alimento subiram consideravelmente. "Por conta disso, muitos produtores se desfizeram de parte do rebanho e venderam as vacas menos produtivas para os abatedouros." Isso, por sua vez, significa que há menos leite saindo das fazendas brasileiras. "Para completar, o meio do ano é o período de entressafra do leite, já que as pastagens não estão boas por causa do clima seco e da temperatura fria", complementa. A união desses fatores fez com que o leite (e os produtos lácteos no geral) se transformassem nos "vilões da inflação" durante os últimos meses. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), o leite longa vida acumula uma alta de 57% no ano. Outros itens também registraram uma subida considerável. Apenas em julho, houve um aumento de 19% no leite condensado, 17% na manteiga, 16% no queijo e 14% no requeijão. Hora do plano B Com menos matéria-prima no mercado e um preço cada vez mais elevado, a estratégia da indústria foi substituir uma parte do leite que ia nas formulações originais dos produtos lácteos. Uma porção desse ingrediente, então, foi trocada pelo soro do leite, um composto que "sobra" e antigamente era descartado durante a fabricação de queijos. Para ter ideia, a produção de um quilo de queijo gera cerca de oito litros de soro, em média. E vale destacar que esse soro, apesar de trazer menos nutrientes, não faz mal à saúde e pode ser consumido. "O soro, porém, tem uma base sólida muito menor do que o leite. Essencialmente, ele é água, com um teor menor de proteínas e carboidratos. E isso muda a composição do produto final para algo pior do ponto de vista nutricional", diz Claro. Porém, muitas vezes essa troca simples de leite por soro de leite não é suficiente para manter o aspecto sensorial daquele alimento ? afinal, o soro traz menos proteínas e gorduras que o leite "inteiro", como você confere na tabela a seguir. Os nutrientes que aparecem em cada bebida BBC Para garantir que o produto "alternativo" fique mais parecido com o original, as empresas acrescentam em leites condensados, requeijões e bebidas lácteas no geral alguns ingredientes complementares, que dão consistência e sabor, como o amido, a gordura vegetal e o açúcar. "Falamos aqui de compostos que barateiam o custo daquele alimento", resume a nutricionista Carolina Grehs, cofundadora do Desrotulando, um aplicativo que analisa e dá notas aos alimentos vendidos nos supermercados de acordo com uma série de critérios relacionados à saúde. Em alguns casos, a adição desses compostos não é suficiente e as empresas precisam acrescentar outros compostos químicos, como emulsificantes, adoçantes e aromatizantes. Gato por lebre? Por um lado, essa estratégia não traz nada de errado do ponto de vista legal e regulatório. "Esses alimentos não são exatamente uma novidade e têm nomes e regras bem definidos na legislação", esclarece Grehs. "A indústria está cumprindo o seu papel ao lançar produtos que atendem às demandas da população", opina Siqueira. "As empresas lidam com a escassez de matéria-prima, mas tentam oferecer alternativas ao consumidor", defende a pesquisadora da Embrapa Gado de Leite. Por outro, os especialistas criticam a falta de clareza na comunicação de muitos desses novos produtos ? muitas vezes, a embalagem é tão parecida à original que o consumidor nem percebe que está comprando algo diferente daquilo que esperava. "Há casos em que as bebidas lácteas são colocadas nas mesmas gôndolas do leite. E o rótulo delas traz um copo com líquido branco e outros elementos gráficos que remetem ao leite de verdade", observa Grehs. "Vemos que alguns desses novos lácteos são vendidos por um preço muito parecido ou até mais alto em comparação com as versões anteriores", complementa. A BBC News Brasil entrou em contato com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), e a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos) para que elas pudessem se posicionar a respeito de toda discussão, mas não foram enviadas respostas até a publicação desta reportagem. Procurada, a Nestlé, responsável pela fabricação do Leite Moça, enviou uma nota dizendo que a versão atualizada do leite condensado é "um novo produto da linha Moça que possui os mesmos ingredientes do Moça Tradicional, porém, em quantidades diferentes, com adição de soro de leite e amido". "Trata-se de um produto de alta qualidade, sem gordura vegetal, estabilizantes ou espessantes, e é uma opção no portfólio da marca para consumidores que buscam soluções com menor desembolso, sem abrir mão do resultado e da qualidade Nestlé", finaliza o texto. Prejuízos nutricionais e culinários Além de uma possível confusão na hora da compra, o consumo constante desses produtos gera preocupação entre os especialistas. "A substituição do leite por outros ingredientes significa que o produto vai ter menos proteínas e vitaminas, o que representa um prejuízo na alimentação", analisa a nutricionista Laís Amaral, supervisora técnica do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Outro ponto que chama a atenção em alguns desses produtos é o acréscimo de açúcar nas formulações. "Uma coisa é consumir a lactose, o açúcar natural do leite. Outra muito diferente é o açúcar adicionado de outras fontes, como o xarope de glicose", compara Grehs. "Isso nos preocupa, pois o leite é um elemento central na dieta de muitos brasileiros e observamos níveis crescentes de obesidade na nossa população, que está relacionada ao consumo excessivo de alimentos calóricos e ricos em açúcar." Segundo a Embrapa, cada brasileiro consome uma média de 166 litros de leite por ano ? taxa que aumenta exponencialmente desde os anos 1990. Além da menor qualidade nutricional de alguns desses lácteos "alternativos", é preciso prestar atenção na adição dos compostos que terminam com "ante" neles, como os corantes, os emulsificantes, os adoçantes? "São ingredientes que barateiam a produção, fazem com que aquele alimento seja minimamente comestível e mudam substancialmente a parte sensorial do produto", explica Amaral. Isso faz com que muitos desses novos lácteos se encaixem na categoria dos ultraprocessados. Na lista de ingredientes de uma mistura alimentícia de queijo ralado, por exemplo, é possível saber que ele contém amido de milho e/ou amido de mandioca, ricota em pó, queijos ralados, soro de leite em pó, creme de leite, acidulante ácido cítrico, antioxidante lecitina, conservantes sorbato de potássio e ácido sórbico, aroma idêntico ao natural de queijo parmesão e corante artificial amarelo crepúsculo. Já no queijo ralado tradicional, essa tabela costuma ser bem mais enxuta: o produto é feito geralmente de queijo ralado (leite pasteurizado, fermento, sal e coalho bovino) e conservante ácido sórbico. De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014, o consumo de alimentos ultraprocessados, que trazem muitos desses ingredientes de nome complicado e não são encontrados facilmente na despensa ou na geladeira de nossas casas, deve ser evitado sempre que possível. "Devido a seus ingredientes, alimentos ultraprocessados ? como biscoitos recheados, salgadinhos 'de pacote', refrigerantes e macarrão 'instantâneo' ? são nutricionalmente desbalanceados. Por conta de sua formulação e apresentação, tendem a ser consumidos em excesso e a substituir alimentos in natura ou minimamente processados. As formas de produção, distribuição, comercialização e consumo afetam de modo desfavorável a cultura, a vida social e o meio ambiente", aponta o texto. "A fabricação de alimentos ultraprocessados, feita em geral por indústrias de grande porte, envolve diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, incluindo sal, açúcar, óleos, gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial", contextualiza o guia. Além dos riscos nutricionais, Grehs chama a atenção para outro aspecto relevante do uso dos lácteos alternativos: possíveis alterações na textura e no gosto de pratos típicos e muito populares. "Algumas misturas lácteas geram problemas em receitas que dependem da gordura para formar a estrutura daquele preparo, como em pudins e brigadeiros." De acordo com a especialista, o uso de alguns dos novos produtos nas receitas muda o aspecto sensorial desses doces ? o brigadeiro, por exemplo, pode não chegar ao ponto ideal, quando ele começa a se desgrudar do fundo da panela, enquanto o pudim não ganharia aquela consistência típica do quitute. O que fazer? Rafael Claro, da UFMG, entende que a solução óbvia é evitar o consumo desses alimentos ultraprocessados e consumir produtos frescos, se possível. Mas o especialista entende que essa é uma discussão que ultrapassa os limites da nutrição e envolve assistência social e políticas públicas ? ainda mais num cenário de crise econômica e inflação em alta. "Nem todo mundo pode comer itens frescos e in natura, porque eles costumam ser mais caros." "Muitas pessoas não têm dinheiro para comprar um litro de leite integral ou meio queijo. Daí elas precisam partir para as bebidas lácteas e as versões alternativas." "Mas fornecer um alimento 'porcaria' barato para os mais pobres não pode ser visto como um caminho para nosso futuro como país", protesta. "Também precisamos pensar que grande parte desses produtos lácteos ultraprocessados não são necessários para a alimentação. Se eles não representam uma alternativa para garantir a segurança alimentar, a orientação é que eles não sejam incorporados aos hábitos de consumo", conclui. Siqueira, da Embrapa Gado de Leite, entende que a tendência é que a inflação dos lácteos fique mais controlada nos próximos meses. "A gente espera a importação de matéria-prima e uma melhora nos custos de produção. A expectativa é que tenhamos uma redução nos preços já neste segundo semestre", projeta. Como não comprar gato pro lebre BBC Do ponto de vista prático, Grehs orienta que os consumidores fiquem atentos ao nome técnico de cada produto, que aparece em letras menores na parte frontal do rótulo ? é ali que você vai saber se está diante de um creme de leite ou de uma mistura de creme de leite, por exemplo. "E mesmo dentro das misturas lácteas, é possível procurar opções melhores e mais saudáveis. Algumas só trazem soro de leite e amido, enquanto outras têm o acréscimo de açúcar e aditivos químicos", sugere. Para checar essas diferenças, vale ler a lista de ingredientes que aparece na parte traseira da embalagem. Se itens como "xarope de glicose", "açúcar" ou "gordura vegetal" aparecem logo de cara, é bom ligar o sinal de alerta. "Além disso, se a palavra 'sabor' está no rótulo, isso significa que há a adição de aromatizantes para reforçar o paladar, como é o caso de opções como o 'pó para preparo de bebida sabor leite' ou a 'bebida láctea sabor morango'", acrescenta a nutricionista. Por fim, caso o consumidor se sinta lesado e enganado na hora em que comprou alguns desses compostos lácteos, é possível acionar órgãos de fiscalização. "Se você achar que comprou gato por lebre, pode fazer denúncias no Procon, no site consumidor.gov.br e no Observatório de Publicidade de Alimentos", finaliza Amaral.

Lucro da Eletrobras cai 45% no 2º tri por efeito cambial e provisões


Segundo a companhia, o resultado trimestral também foi impactado pela provisão para perdas em investimentos no montante de R$ 890 milhões. Logo da Eletrobras, em prédio da estatal no Rio de Janeiro Pilar Olivares/Reuters A Eletrobras registrou lucro líquido de R$ 1,4 bilhão no segundo trimestre, queda de 45% ante o mesmo período do ano anterior, devido "principalmente" a efeitos da variação cambial negativa de R$ 625 milhões pela exposição de dívida da empresa em dólar. Na noite de sexta-feira, (12) a companhia disse que o resultado trimestral também foi impactado pela provisão para perdas em investimentos no montante de R$ 890 milhões, em função, principalmente, do aporte de capital realizado pela subsidiária Furnas na Santo Antônio Energia. Ainda houve impacto de provisão para crédito de liquidação duvidosa (PCLD), que somou R$ 694 milhões, influenciado pela inadimplência da distribuidora Amazonas Energia, em especial no que se refere à dívida financeira com a holding. Conselho da Eletrobras elege Wilson Ferreira Júnior como presidente Privatização da Eletrobras: Aneel abre consulta pública sobre contratação de usinas térmicas A geração de caixa medida pelo Ebitda ajustado apresentou crescimento de 6%, para 4,861 bilhões no segundo trimestre. O resultado no período já considera os efeitos contábeis da segregação da Eletronuclear, que deixou de ser uma empresa controlada pela Eletrobras após a privatização. Bastidor da Sadi: governo quer modelo de privatização da Eletrobras na Petrobras O balanço também inclui a venda da participação acionária detida na Itaipu Binacional e a celebração dos novos contratos de concessão de geração decorrentes da privatização. A receita operacional líquida aumentou 19% para R$ 8,856 bilhões, pela melhor performance nos contratos bilaterais e pelo reajuste anual das receitas de transmissão, cuja base de ativos foi ampliada no ciclo 21/22 pelo reperfilamento da Rede Básica Sistema Existente (RBSE) que consiste em indenizações para concessões renovadas antecipadamente em 2012, nos termos da Medida Provisória 579.

Tatá Werneck diz ser vítima de ameaça e tentativa de extorsão após hacker acessar 'conversas íntimas'


Em postagem em uma rede social, apresentadora afirma já ter realizado um boletim de ocorrência. Tatá Werneck relata ataque hacker em postagem em rede social. Reprodução/Twitter Tatá Werneck usou as redes sociais nesta sexta-feira (12) para fazer uma denúncia sobre um ataque hacker. A apresentadora disse estar sendo ameaçada por um hacker que acessou conversas privadas dela. A atriz afirmou ainda que sofre tentativa de extorsão pelo hacker e que já fez um boletim de ocorrência. "Qualquer veículo de comunicação que divulgar informações provenientes de uma extorsão será conivente com o crime", escreveu ela. Initial plugin text LEIA TAMBÉM: Como proteger as redes sociais de hackers e vírus? O que é preciso fazer após ser vítima de hackers para proteger os dispositivos e contas? Especialista explica o que fazer ao ter perfil hackeado ou desativado Segundo o Código Penal, o crime de extorsão caracteriza-se pelo ato de constranger alguém, por meio de violência ou grave ameaça, com o objetivo de obter para si ou para outros indevida vantagem econômica. A pena pode variar de quatro a dez anos de reclusão e multa. Ataques hackers podem colocar em risco dados bancários, cartões de crédito, senhas e informações pessoais. Em muitos casos, hackers se valem de técnicas como extração e raspagem de dados de redes sociais para, cruzando informações sobre perfis, aplicar golpes. Facebook atribui vazamento de dados de 530 milhões de usuários a 'raspagem' Hackers: 'Roubei os dados de 700 milhões de usuários do LinkedIn por diversão' Perfis da Disneylândia no Instagram e Facebook sofrem ataque hacker Empresas, mesmo gigantes como a americana Colonial Pipeline, que detém a maior rede de oleodutos dos Estados Unidos, também têm sido vítimas de ataques cibernéticos. Um relatório da Chainalysis, empresa que analisa o uso de criptomoedas em transações criminosas, mostra que em 2020 houve um aumento de 311% nos pedidos de resgate por dados sequestrados, e pelo menos US$350 milhões de dólares foram pagos a grupos criminosos.

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