QUARTA 10/10 - 19:30

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Apocalipse 3:20

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Como conseguir um emprego ou abrir um negócio na terceira idade? Veja 6 dicas


É importante manter uma rede de contatos e não ter medo da tecnologia para retornar ao mercado de trabalho, recomendam especialistas. Idosos no mercado de trabalho Rede Amazônica/Reprodução O idoso que pretende voltar ao mercado de trabalho após ter perdido o emprego ou ter se aposentado deve ficar atento às mudanças do mercado de trabalho. A reciclagem pessoal e a afinidade com o mundo digital não são exigências apenas para os jovens profissionais, mas também para quem busca se recolocar ou abrir seu próprio negócio na terceira idade. Idosos ampliam espaço no mercado de trabalho, mas só 1/4 tem carteira assinada Fora do mercado formal, mais da metade dos idosos que trabalham tem negócio próprio Nos últimos anos, ficou mais difícil para os mais velhos conseguirem uma recolocação. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado no primeiro semestre apontou que caiu o percentual dos que conseguiram se ocupar ao passar dos 60 anos. Essa taxa passou de 28%, em 2012, para 23% em 2018. Mas é possível superar essa dificuldade, já que os idosos também têm qualidades apreciadas no mundo profissional, aponta Luciana Franco, sócia da Improve Human Consulting. ?Profissionais dessa faixa etária são mais experientes, mais focados em resultados e tão ambiciosos quanto os jovens?. Veja abaixo 6 dicas para conseguir se recolocar: Recicle seus conhecimentos ? Estudar é importante para o nosso desenvolvimento na vida pessoal e profissional, lembra Luciana, da Human Consulting. ?Mais do que simplesmente contar os anos, é preciso saber envelhecer com qualidade e saúde, mantendo a mente sempre ativa?, diz. Antigamente, os estudos eram muito caros e estavam acessíveis a poucos. Agora, existem workshops, oficinas e até cursos à distância sobre novos temas, fundamentais para o sucesso de startups e para manter a agenda ocupada, sem ociosidade, destaca ela. Faça networking ? Criar uma rede de contatos profissionais é fundamental para quem busca manter-se no mercado de trabalho. ?É importante sair de casa e encontrar pessoas e não só ficar mandando currículo por email?, destaca o fundador da plataforma de trabalho para a terceira idade MaturiJobs, Mórris Litvak. Hoje, o LinkedIn é a rede social usada como referência para fazer contato e também é uma vitrine para o seu currículo. Portanto, é preciso usar essa ferramenta a seu favor. Planeje seu negócio ? Para que um novo negócio dê certo, é preciso desenvolver um perfil empreendedor, conhecer a realidade do mercado e organizar um bom plano de negócios, aponta Luciana. ?Elabore seu projeto prevendo cenários futuros e aplicando seu conhecimento na área de interesse. A experiência e a maturidade profissional são favoráveis para acertar na criação de startups e de novos projetos?, diz. E acrescenta: ?As características da terceira idade trazem valor aos negócios de consultoria, assessoria e prestação de serviços. Em geral, pessoas que começam a empreender depois dos 60 anos podem desenvolver essas atividades de forma autônoma?. Tecnologia não pode ser uma barreira ? A dificuldade em lidar com novos dispositivos, aos quais os mais jovens estão mais habituados, não pode ser um empecilho para voltar ao mercado de trabalho, aponta Latvik, da MaturiJobs. ?A tecnologia abre portas e hoje existe uma grande variedade de cursos voltados para quem quer abrir startups ou até os mais básicos como de informática, que estão sendo oferecidos por empresas que estão começando a olhar esse público crescente?, diz. Considere novas formas de trabalho ? Diferentemente de tempos antigos, hoje existem novos modelos de trabalho que trazem flexibilidade e não exigem o comprometimento de ter que cumprir horários e deslocar-se todos os dias para o mesmo lugar, lembra Latvik. ?São inúmeras as novas formas de ocupação que vão além do emprego tradicional, como o trabalho autônomo,a economia compartilhada. Isso traz uma flexibilidade que pode ser importante para os mais velhos?, diz. Arrisque - A grande vantagem da idade é a experiência adquirida em toda a trajetória de vida, observa Luciana. ?Os idosos têm menos medo de riscos e estão mais preocupados com a realização pessoal do que com a rentabilidade imediata?, diz. Segundo ela, empreendedores da terceira idade se preocupam menos com a segurança financeira de suas famílias porque elas já estão estruturadas. Essa segurança permite arriscar mais. ?Mas não se esqueça: o dinheiro da aposentadoria precisa ser guardado e não pode entrar na diversão do dia a dia?, recomenda ela.

Fora do mercado formal, mais da metade dos idosos que trabalham tem negócio próprio


Maior parte das pessoas ocupadas com mais de 60 anos abriu a própria empresa ou trabalha como autônomo; necessidade tem levado idosos a empreender. Veronique Forat (esquerda) e Martha Monteiro abriram a startup Morar.com.vc no ano passado. Fabio Tito/G1 Movidas pela necessidade de renda e em busca de realização pessoal, cada vez mais pessoas da terceira idade permanecem ou retornam para o mercado de trabalho ? e esse aumento vem sendo puxado pelo empreendedorismo. Idosos ampliam espaço no mercado de trabalho, mas só 1/4 tem carteira assinada Como conseguir um emprego ou abrir um negócio na terceira idade? Veja 6 dicas Segundo os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo trimestre deste ano 46% da população ocupada com mais de 60 anos trabalhava por conta própria e 9,3% eram empreendedores. Enquanto isso, apenas 1 em cada 4 (26%) idosos ativos tinham emprego com carteira assinada, ao passo de 18% estavam na informalidade, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE. ?O trabalho autônomo ou informal muitas vezes é a única opção em um mercado que ainda oferece poucos empregos formais para esse público?, aponta Mórris Litvak, fundador da plataforma de trabalho para a terceira idade MaturiJobs. Abrir uma startup após os 60 Aos 60 anos, Veronique Forat havia deixado para trás a carreira de comunicação e marketing e decidiu abrir uma startup com sua sócia, Martha Monteiro, de 64 anos. Ambas criaram em 2017 um site que conecta pessoas dispostas a se hospedar ou morar juntas usando como base a afinidade, o Morar.com.vc, que opera na cidade de São Paulo. Veronique Forat, que abriu uma startup após os 60 anos: 'existe uma resiliência que você adquire com a idade'. Fabio Tito/G1 Elas se conheceram em um workshop de reinvenção do trabalho depois dos 60 anos e descobriram que podiam seguir uma segunda carreira profissional. O desafio para fazer melhorias no site é grande, após a percepção de que o negócio exige muito conhecimento em tecnologia. Mas não foi a falta de domínio técnico que Veronique encontrou como empecilho para empreender na sua idade. ?A dificuldade é que talvez não sejamos levadas tão a sério em um ambiente muito masculino e jovem como é o de startups", conta. Veronique conta que existe um certo "pé atrás" por parte dos investidores em apostar em startups chefiadas por duas mulheres mais velhas?. Mas ela enxerga a maturidade como vantagem nesse meio e também um "alimento" para a criatividade exigida nesse meio. Não foi só a necessidade financeira que a motivou a abrir um negócio depois dos 60, mas o ímpeto de continuar tendo desafios que, segundo ela, é o que ?mantém a gente vivo?. As empreendedoras Veronique Forat e Martha Monteiro. Fabio Tito/G1 ?Não é possível que muita gente não perceba o potencial enorme que as pessoas mais maduras têm. Existe uma resiliência que você adquire com a idade?, afirma Veronique. ?Com mais idade, você sabe que se levar uma bofetada e cair sentado, o mundo não acabou?, diz a empreendedora. Segundo Luciana Franco, sócia da Improve Human Consulting, há, de fato, espaço no mercado brasileiro para startups com profissionais da terceira idade por serem qualificados, maduros e com alto senso de responsabilidade. "O empreendedorismo tem sido um caminho escolhido por muitos brasileiros da terceira idade como alternativa para ter uma vida mais ativa, inclusive após a aposentadoria", observa. Cresce a participação de idosos no empreendedorismo Um levantamento do Sebrae de 2017 mostrou que 12,35% dos empreendedores do país estão na faixa dos 55 a 64 anos ? 6,1 milhões dos 49,4 milhões. Segundo o estudo, 32,3% das pessoas nesta faixa de idade são empreendedores ? 10,3% em fase inicial e 22,4% já estabelecidos. Nesta faixa etária, a proporção de pessoas que abriram negócio cresceu de 7%, em 2012, para 10,4%, em 2016. Segundo a pesquisa, 61% dos empreendedores iniciais são mulheres, o que, segundo o Sebrae, se explica pela crise econômica, que motivou mulheres com mais idade ou aposentadas a empreenderem para completar a renda da família. Entre os aposentados, cerca de 8% já abriram seu próprio negócio, aponta outra pesquisa do Sebrae. Outros 25% pretendem abrir uma empresa no futuro e, destes, 10,8% planejam abri-la em até dois anos. Cerca de 80% já sabem que tipo de negócio gostariam de montar - 6 em cada 10 escolheram o comércio, especialmente no ramo da alimentação. Para 7 em cada 10 entrevistados, a motivação para abrir uma empresa decorre de razões financeiras, como complementar a renda e ajudar a família : 49,7% pretendem abrir uma empresa para complementar a renda ? seja a própria ou da família; 21% citaram a necessidade de manter a família; 21% pensam em se manter ocupados após a aposentadoria; 'Não queria ficar parado' Márcio Nogueira, de 62 anos: vontade de abrir negócio veio após a aposentadoria. Divulgação/Ecoville O aposentado Márcio Nogueira, de 62 anos, decidiu investir no próprio negócio após atuar por 42 anos em empresas como administrador com especialização em logística e transportes. Há pouco mais de um ano, ele gerencia uma unidade móvel de uma franqueadora de lojas de produtos de limpeza do país, a Ecoville, em Campinas, interior de São Paulo. A vontade de se aventurar no empreendedorismo veio após a aposentadoria, em 2015, e a decisão se deu em uma feira de franquias no Rio de Janeiro. ?Trabalhava como gestor, com carteira assinada, mas sempre quis empreender num negócio próprio?, diz. Nogueira conta que tinha uma vida profissional agitada e não queria ficar parado após se aposentar. ?Mas queria algo que não tivesse ponto fixo nem compromisso de horário para abrir e fechar, que me permitisse viajar quando quisesse?, comenta. Ele optou pelo ponto móvel, com a venda porta a porta, para empresas e estabelecimentos comerciais e de serviços, em uma região específica de Campinas. Nogueira tem a ajuda do sobrinho Saint Clair, de 40 anos, que cuida das vendas, e ele faz a gestão da empresa. O investimento foi em torno de R$ 100 mil ? teve que comprar carro, computadores e alugar um imóvel para depósito e escritório. ?Antes, quando era empregado, no fim do mês tinha o dinheiro garantido. Agora tem a incerteza, mas é gratificante realizar um sonho e ver a satisfação do cliente?, diz. Nogueira conta que o primeiro ano foi de aprendizado e prejuízo, com foco em produtos que vendem mais e estoque reduzido, mas neste ano conseguiu equilibrar as contas. O administrador de empresas conta orgulhoso que, após os 60 anos, conseguiu unir o sonho do negócio próprio com a possibilidade de visitar sua filha no Rio de Janeiro, por exemplo, no meio da semana. ?No mês passado estava passeando em Portugal com minha esposa, gerenciando tudo de lá. Eu queria continuar trabalhando, mas de forma flexível. E consigo contornar tudo à distância?, diz o empreendedor. Segundo Latvik, da MaturiJobs, a grande participação dos empreendedores nesta faixa etária se explica não só pela falta de oportunidade no mercado formal, mas pela preferência de muitos idosos por funções mais flexíveis e sem horário fixo ou necessidade de deslocamento. Trabalho na terceira idade Juliane Monteiro/G1

Idosos ampliam espaço no mercado de trabalho, mas só 1/4 tem carteira assinada


Embora a maior parte dos trabalhadores mais velhos tenha ocupações mais flexíveis, movimento de inclusão etária nas empresas já é perceptível e reflete nova realidade demográfica. Dilma Stanisci, de 81 anos, é caixa na farmácia de manipulação Buenos Aires, em São Paulo: 'Não quero ficar em casa'. Fabio Tito/G1 O interesse das empresas por trabalhadores da terceira idade nunca foi notável, mas já se percebe um olhar um pouco mais amigável para a diversidade etária e a convivência entre gerações dentro do ambiente corporativo. Esse movimento atende a uma crescente demanda de pessoas mais velhas que buscam um emprego. Fora do mercado formal, mais da metade dos idosos que trabalham tem negócio próprio Como conseguir um emprego ou abrir um negócio na terceira idade? Veja 6 dicas Ainda que o percentual de pessoas acima de 60 anos no mercado de trabalho venha crescendo ? bateu o recorde de 7,9% no segundo trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ? apenas 26% têm carteira assinada. A maior parte ainda está na informalidade ou em ocupações por conta própria. A faixa etária mais excluída do mercado formal é também a que mais tem sofrido com o fechamento de vagas com carteira assinada, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Em agosto, enquanto a faixa etária até 39 anos criou mais de 140 mil vagas, 37 mil postos foram fechados para pessoas acima de 50 anos. Contudo, algumas empresas passaram a lançar programas com vagas abertas apenas para pessoas de idade mais avançada, como parte de um esforço de diversidade que já era observado em relação a gênero e raça. ?Eu sou a avó que vocês procuram? Monika, de 70 anos, é treinada por funcionária mais jovem após ser contratada como atendente do Reclame Aqui. Reclame Aqui/Divulgação Após sair do emprego de secretária bilíngue no ramo de autopeças, Monika Feldenheimer da Silva pensava que não teria mais chances no mercado de trabalho. Ao saber, por sua filha, que o site Reclame Aqui divulgou um anúncio de vaga com os dizeres ?Contratamos a sua avó?, ela enviou um email para a empresa: ?Eu sou a avó que vocês procuram?. Formada em ciências sociais e com 20 anos de experiência, Monika recebeu um Uber na porta de sua casa para levá-la à entrevista de emprego, que tinha cinco candidatos. O emprego de atendente era dela. No começo, a nova atendente de 70 anos teve receio de sofrer preconceito dos mais jovens, mas logo percebeu que o ambiente era receptivo. Ela foi treinada por uma das funcionárias mais jovens da empresa, como parte da cultura de mesclar gerações. ?Não consigo me imaginar não trabalhando, senão me sinto meio inútil. Quando parei, disse para meu filho que foi dificil ficar sem trabalhar?, conta Monika. Além do senso de utilidade, Monika destina parte de seu salário para ajudar um dos netos, que não tem renda suficiente para se manter. Em busca de recolocação Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado no primeiro semestre apontou que a proporção de idosos que pararam de trabalhar após perder o emprego caiu de 20%, em 2012, para 16% em 2018. Mas também caiu o percentual dos que conseguiram uma colocação ao passar dos 60 anos. Em seis anos, essa taxa passou de 28% para 23%. Para o fundador da plataforma de trabalho para a terceira idade MaturiJobs, Mórris Litvak, uma das principais razões para estas pessoas continuarem em busca de trabalho é a necessidade de renda e o fato de a aposentadoria não ser suficiente para cobrir os gastos. ?Existe também uma vontade de se sentir útil e ter algo para fazer que leva muita gente a continuar trabalhando, mesmo sem precisar?, explica. Há ainda aqueles que após os 60 anos ainda não atingiram o tempo de contribuição ou a idade mínima para obter a aposentadoria e são obrigados a continuar trabalhando. Necessidade financeira Boa parte dos idosos que trabalham não teria necessidade própria, mas destina o que ganha para sustentar a família. Cerca de 10 milhões de pessoas dependem da renda dos aposentados para viver, segundo uma pesquisa da LCA Consultores. Em 2017, o percentual de lares em que 75% da renda ou mais vem de indivíduos com mais de 60 anos cresceu 12%, somando 5,7 milhões. ?É uma situação muito comum, de continuar trabalhando para ajudar os filhos e netos que não têm renda suficiente, principalmente depois da crise, em que muita gente perdeu o emprego e passou a depender desses ganhos?, aponta Latvik, da Maturi Jobs. ?Não quero ficar em casa? Dilma Stanisci, de 81 anos, é caixa na farmácia de manipulação Buenos Aires, em São Paulo: 'Não quero ficar em casa'. Fabio Tito/G1 Dilma Stanisci, de 81 anos, trabalha como caixa na farmácia de manipulação Buenos Aires, em São Paulo, há 17 anos. Mas ela, que começou a trabalhar com 13 anos em uma fábrica de calçados, é aposentada há 38 anos. Ela prefere abdicar do dinheiro do benefício do INSS, que seria maior que seu salário, por querer trabalhar e se sentir útil. Ela sempre gostou de trabalhar. Quando começou, o pai não queria deixá-la por ser muito nova. ?Mas eu bati o pé e o juiz deu autorização?, lembra. Depois de 12 anos costurando calçados, a idosa foi trabalhar em uma imobiliária, onde ficou por 30 anos e passou pelos setores administrativo, telefonia e caixa. Em 1980, ela se aposentou, mas quis continuar trabalhando. Conseguiu emprego em uma agência de turismo, onde ficou por sete anos. Como não tinha carteira assinada, acumulava o dinheiro da aposentadoria e do salário. ?Fiquei um ano desempregada e deprimi, foi então que um amigo me falou da farmácia que contratava quem tinha mais de 60 anos, aí fui chamada e já entrei como caixa fixa?, conta Dilma. O plano de Dilma era ficar um ano na farmácia, mas já se passaram 17, e ela não pensa em parar. ?Gosto de trabalhar, me adapto a qualquer situação, converso com as pessoas?, diz. Dilma usa sua renda do trabalho para ajudar duas irmãs, de 85 e 89 anos. Fabio tito/G1 Ela, que tem até o 4º ano do ensino fundamental, diz que a única dificuldade é se adaptar à mudança de tecnologia. ?Mas se me explica o serviço eu pego logo?. Ela anota tudo o que é ensinado e segue o que está no papel. ?A memória é boa, tenho facilidade com números, faço conta de cabeça, sempre confiro todos os valores, e se vejo algum problema eu aponto para as atendentes?, conta. Dilma é solteira e tem duas irmãs, de 85 e 89 anos, e as ajuda financeiramente. A empresa paga todos os benefícios como vale-refeição e vale-transporte e tem coparticipação no plano de saúde. Apesar de ainda dirigir ? renovou sua carteira de habilitação em outubro -, Dilma prefere pegar dois ônibus até a farmácia, onde trabalha das 8h às 17h50. ?Tem gente que pergunta até quando vou trabalhar aqui. Enquanto eu não estiver atrapalhando eu fico, quando atrapalhar eu saio. Eu não quero ficar em casa, aí fico doente?. Os idosos acima de 60 anos representam cerca de 5% do quadro de funcionários da farmácia Buenos Aires - são 9 mulheres e 3 homens. A proprietária Marisa Marques diz que a empresa valoriza a tradição e considera a experiência das pessoas com mais idade muito importante. ?São pessoas dedicadas ao que fazem e valorizam muito seu emprego?, diz. Marisa Marques, dona da Farmácia Buenos Aires, que tem 5% do quadro de pessoas acima de 60 anos. Fabio Tito/G1 Marisa comenta que confia de olhos fechados no trabalho de Dilma no caixa. ?Ela está sempre sorrindo, é muito comprometida?. diz. Segundo a proprietária, os idosos costumam ter dificuldade com mudanças, como implantação de novas ferramentas de trabalho, mas eles passam por um período de adaptação. ?A gente entende essa dificuldade e espera até eles se acostumarem?, diz. Sem vínculo, com ganho diário e caixinha Iraci Ribeiro, de 74 anos, debaixo do pé de pitanga que faz sombra para seus dias de trabalho em pé, em jornada de 9 horas diárias Marta Cavallini/G1 Iraci Ribeiro, de 74 anos, nunca teve carteira assinada, mas mesmo que esteja na informalidade desde os tempos em que era diarista, a idosa se sente orgulhosa de ainda trabalhar e se sentir útil. Após 20 anos limpando casas de diferentes patrões até aos domingos, há 8 anos ela entrega panfletos para um avaliador de joias na Zona Oeste de São Paulo. Iraci recebe R$ 40 por dia para trabalhar de segunda a sexta, das 9h às 18h. ?Trabalho para ocupar a mente, ficar sozinha em casa não dá?. Antes de se tornar entregadora de folhetos, ficou por dois anos vendendo bolsas para uma ambulante na mesma rua. ?Mas ela se mudou daqui e eu fiquei sem trabalho. A sorte é que tinha essa vaga de entregadora e eu fui escolhida?, afirma. Iraci tem dois filhos, 6 netos e um bisneto. De vez em quando ajuda a família. Além da remuneração diária, ela ganha ?caixinha? de quem vai vender ouro e de quem ajuda dando informação. Ela já é conhecida na região e sempre ganha cafezinho e bolo dos comerciantes. ?Passa o dia que nem vejo. Quando olho já deu 6 da tarde?. Iraci conta que um pé de pitanga faz uma ?sombra boa? para protegê-la do sol durante as 8 horas em que fica em pé - a idosa tem uma hora de almoço. Ela viu a árvore crescer desde que começou a trabalhar ali. ?Quando algum caminhão para e bate nos galhos eu brigo?, comenta. Quando doem as pernas, ela se ajeita em alguma soleira de loja para descansar por uns 10 minutos. Ela acorda todos os dias às 5 da manhã e pega dois ônibus. ?Se eu estivesse dentro de casa não estaria assim, com saúde e disposição?, diz. Movimento de inclusão Segundo Latvik, da MaturiJobs, embora a contratação de pessoas da terceira idade seja uma tendência ainda pequena nas empresas, é possível perceber um crescente interesse por profissionais mais velhos em algumas culturas organizacionais. ?Algumas empresas estão mudando o olhar para profissionais mais seniores, principalmente depois da crise, quando algumas sofreram por terem empregado funcionários muito jovens e com pouca maturidade e experiência?, diz Latvik. Assim como a diversidade de gênero e raça adotada recentemente por parte do mundo empresarial, a inclusão etária também começa a ser valorizada em alguns ambientes que buscam mesclar a convivência de diferentes gerações no ambiente de trabalho. Mas o fundador da MaturiJobs pondera que ainda existe um preconceito nas empresas de que os idosos são mais caros, como os custos com plano de saúde, ou de que estão desatualizados. ?Ao incluir idosos, a empresa traz inovação. Já é comprovado, que a diversidade etária é tão importante quanto as outras porque ela traz olhares diferentes e ajuda a pensar fora da caixa. Essa troca é muito rica?, diz. Trabalho na terceira idade Juliane Monteiro/G1

No Acre, borracha da Amazônia é valorizada por proteger a floresta

Centenas de famílias vivem da borracha retirada das serigueiras no estado. Atividade recebe incentivos de programas do governo e privados. Seringueiros ganham mais por borracha ecológica, no Acre. Centenas de famílias ainda vivem da borracha retirada das seringueiras em reservas extrativistas do Acre. Por ajudar a proteger a floresta, a atividade é valorizada por meio de incentivos de programas do governo e privados. Uma das mais importantes é a reserva Chico Mendes, que leva o nome do líder seringueiro, defensor da Floresta Amazônica, morto há 30 anos. Ela foi uma das primeiras reservas do Brasil, criada em 1990, dois anos após o assassinato, e fica na divisa com a Bolívia e o Peru. Abrange sete municípios, entre eles o de Assis Brasil, visitado pela reportagem, e abriga cerca de 10 mil pessoas. Os moradores dessa unidade de conservação pode tirar da mata parte de seu sustento, com o compromisso de manter a floresta em pé. Podem ter um pouquinho de pecuária (no máximo 30 cabeças) e lavoura, mas a atividade principal tem que ser o extrativismo ? e a borracha é o carro chefe. Os terrenos têm cerca de 200 hectares cada. A terra é pública, cedida aos moradores em contratos de 25 anos por meio de associações. "Sempre fui seringueiro. Meu pai era seringueiro, desde a época de patrão. Desde quando eu me lembro, eu comecei a andar nas estradas de seringa mais ele, eu tinha 8 anos", conta Arleudo Farias, conhecido como Bita. Todos as manhãs, Bita percorre agilizado de 6 a 8 quilômetros de pé em pé de seringueira, para fazer nas árvores os cortes (as linhas) por onde o látex vai escorrer. À tarde, anda outros 6 a 8 quilômetros para recolher o que foi extraído. Essa rotina é cumprida de segunda a sábado. Diferentemente do que ocorre nas florestas plantadas só para a extração de látex, a reserva é diversa e, nela, as seringueiras não ficam uma do lado da outra. Às vezes, em um hectare de mata, só se encontra duas árvores da espécie. Por isso Bita alcança 100 pés em um dia, enquanto numa plantação seriam cerca de 1.000. O látex que Bita recolhe em 2,5 dias de trabalho é colocado em uma prensa para endurecer, junto com um coagulante. ?Aqui é sob pressão, ela vai retirar toda a água que ela tem para ficar só a matéria prima-bruta?, explica. O que sai da prensa é o chamado cernambi virgem prensado (CVP). É o jeito mais tradicional de se processar o látex. Na época da seca, toda a produção sai junta com destino a uma indústria na cidade de Serra Madureira, também no Acre. A fábrica de látex é gerida por uma cooperativa de produtores, a Cooperacre, e processa mais de 500 toneladas de borracha por ano. Lá, o látex vai para uma espécie de máquina de lavar gigante, que limpa e tritura a borracha, depois entra num forno e sai já no padrão internacional. O produto final é o granulado escuro brasileiro, ou GEB, que tem preço no mercado internacional. É usado na produção de pneus, solado de sapatos, câmaras de ar e correias automotivas. "A produção da Ásia entra no Brasil com um preço muito baixo e isso faz que com os produtores brasileiros tenham dificuldade no fornecimento para as fábricas", explica Manoel de Oliveira, superintendente da Cooperacre. Essa competição internacional impacta os extrativistas e, por isso, a borracha nativa do Acre é incentivada. Além de ter um valor mínimo garantido por uma política federal, recebe subsídios. "Se fosse só o preço de mercado nós não teríamos nenhum extrativista hoje trabalhando com borracha, porque não paga nem o custo do trabalho?, diz Jorge Rasniviksi, gerente da fábrica que produz GEB. Esses incentivos, segundo o secretário de Meio Ambiente do Acre, Carlos Edgard de Deus, quase triplicam o valor pago ao trabalhador. "O subsídio é feito através de um tratado de cooperação com organizações do Brasil, no caso (recursos captados pelo) Fundo Amazônia, e internacional, que paga por desmatamento evitado." Pagar pela conservação da floresta é cada vez mais comum, em iniciativas do governo ou privadas. No Núcleo da Divisão, comunidade onde o Bita mora, extrativistas participam de um programa de uma empresa internacional de calçados e negociam preços a cada ano. Em 2018, fecharam um valor 75% acima do mínimo nacional. Essa borracha amazônica vira solado de tênis em uma fábrica, no Rio Grande do Sul, e ganha vitrine em mais de 40 países. Em 2019, serão 118 toneladas do produto e o dobro de produtores envolvidos: quase 200 extrativistas do Acre. "O nosso cliente, ao decidir comprar esse produto, sabe que está contribuindo, sabe que está participando desses serviços que valorizando tanto a floresta quanto a melhoria de vida das pessoas que estão envolvidas", diz a economista Bia Saldanha, representante da empresa de calçados. Memória dos conflitos O modelo de negócio pensado para o extrativismo é um avanço imenso. Ainda muito presente na memória dos seringueiros a figura do patrão. "Ele (o patrão) era tipo um posseiro de uma área, era quem dominava os seringueiros. Ele trazia mercadoria e trocava por borracha. Quase todos ficavam devendo, para ficar subordinados a ele, trabalhar mais para ele", conta Bita. Quase um regime de escravidão. Há 30 anos, o Acre vivia o auge da disputa entre seringueiro e fazendeiros pelo direito de usar a floresta. Em dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado em Xapuri, um dos municípios da reserva que hoje leva seu nome. Ele era presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros e Luiz Targino era o vice-presidente. Os dois lideraram um movimento em defesa dos territórios historicamente ocupados por extrativistas. Os fazendeiros recém chegados queriam pasto e os ocupantes antigos precisavam da floresta em pé para sobreviver. "Aí os fazendeiros começaram a expulsar o seringueiro, derrubar casa, queimar casa de seringueiro, que era para o seringueiro sair", conta Luiz. A morte de Chico Mendes não foi a última no Acre em conflitos no campo. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, entre 1989 e 2017, o estado teve 585 casos de disputa por terra, em que nove pessoas morreram. Nova realidade A reserva extrativista foi uma conquista para a nova geração, como o casal Erivan de Aquino e Maria Alves. Os dois vivem numa casa simples, com almoço farto e café para visitas. Têm 30 cabeças de gado, o máximo permitido na reserva, e tiram o látex da floresta. "A gente vende pouco o gado. Mais no caso de doença, ou se for pra comer. A seringa é só ir ali buscar, a gente faz o dinheiro mais fácil", conta Maria. O casal recebeu o galpão exclusivo de trabalho, onde transforma o látex em folha de borracha, produto que vai direto para a indústria de calçados. E Erivan entrou ainda em um projeto piloto de reflorestamento, financiado pela empresa. Já plantou 301 seringas. A meta é mudar a lógica de ocupação das terras. "A gente sabe que aqui a cultura é a derrubada e depois a queima da floresta", conta o engenheiro Sebastião Pereira que coordenou o trabalho de campo de reflorestamento. Depois da derrubada, a terra perde qualidade. E em um local isolado como a Amazônia, muitas vezes fica caro manter a produtividade e, por isso, pasto degradado é uma visão bem comum na região. Mas essa terra está virando agrofloresta, com seringueiras intercaladas com outras espécies. "A diversidade ajuda o produtor a ter renda o ano inteiro. Por exemplo, a castanha vai de janeiro ao final de abril. A borracha de abril a meados de dezembro. E transversal a essas duas, são as frutas, para dar uma incrementada na renda", diz Manoel de Oliveira, da Cooperacre. Os seringueiros são guardiões da floresta porque dependem dela para sobreviver. O desmatamento ilegal ainda resiste: 50 quilômetros quadrados foram perdidos nos últimos dois anos. Veja a reportagem completa no vídeo.

Caiu no golpe da promoção falsa d'O Boticário? Veja o que fazer


Blog tira dúvidas sobre golpe no WhatsApp, recuperação de senha no Google e restauração de sistema no Motorola Moto G6. (Se você tem alguma dúvida sobre tecnologia, utilize o espaço para comentários abaixo e escreva sua pergunta) Golpe no WhatsApp leva usuário a responder questionário em página, mas pode ser inofensivo se não requisitar informações pessoais. AFP Caí no golpe da promoção falsa d'O Boticário, e agora? Oi, Ronaldo! Eu recebi no WhatsApp uma mensagem sobre uma promoção d'O Boticário em que para receber o brinde era necessário responder a um questionário e depois compartilhar o anúncio com 10 amigos. Eu fiz tudo isso, e só depois descobri que fui vítima de um golpe. E agora? ? Amanda Olá, Amanda! Esse golpe tem sido recorrente, apenas mudando o brinde oferecido. Na prática ele não é perigoso, desde que você não tenha instalado algum app indicado na mensagem e fornecido dados pessoais (número de documentos, senha, informações bancárias). Os golpistas criam uma página interativa em que a vítima é induzida a prosseguir respondendo perguntas simples e compartilhando a promoção com os seus contatos. Essa tática tem como finalidade atrair acesso a uma página falsa, que está repleta de anúncios. A monetização do golpe ocorre por causa dos acessos ao site; ao acessá-lo o seu aparelho não corre o risco de ter alguma praga virtual instalada. Se você preferir, é possível realizar o reset das configurações originais de fábrica: esse procedimento serve para eliminar completamente qualquer app malicioso que possa ter sido instalado acidentalmente. A empresa já se posicionou sobre o uso de um de seus produtos na fraude, confira aqui a nota de esclarecimento. Como acelerar a recuperação da senha do Google? Olá, Ronaldo! Eu esqueci a minha senha da conta no Google, fiz a solicitação de redefinição mas deram a previsão de até 5 dias para o envio do código de segurança. Existe alguma maneira de eu acelerar esse processo? ? Fausto Olá, Fausto! O processo do Google para a verificação de segurança demora entre três a cinco dias. Infelizmente não existe uma maneira manual que acelere a geração de um código de acesso para o cadastramento de uma nova senha. Como redefinir as configurações originais de fábrica no Motorola Moto G6? Eu preciso redefinir as configurações originais de fábrica no Motorola Moto G6, mas não estou conseguindo. Você poderia me ajudar? ? Mari Olá, Mari! Para você realizar o reset de fábrica, siga os passos descritos abaixo: Desligue o aparelho; Pressione simultaneamente o botão "Power" e a tecla de "Volume-"; Pressione a tecla de "Volume-" e localize a opção "Recovery" e selecione usando a tecla "Volume+"; Pressione a tecla de "Volume-" vá até a opção "wipe data/factory reset" e selecione com a tecla "Power"; Confirme a redefinição das configurações de fábrica selecionando a opção "Yes ? delete all user data"; Selecione a opção "Wipe cache partition". Pressione a tecla "Power" e selecione a opção "Reboot System Now"; Ao término do processo, o seu celular estará com as configurações originais de fábrica restauradas, e pronto para ser usado normalmente. Mas vale salientar que todas as informações armazenadas na memória do aparelho serão perdidas.

Programação IEQ

09:00 Culto da Manha
Local: Templo
Obs:
15:00 Culto da Tarde
Local: Templo
Obs:
19:30 Culto da Noite
Local: Templo
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19:30 Culto da Noite
Local: Templo
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09:00 Culto da Manha
Local: Templo
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15:00 Culto da Tarde
Local: Templo
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19:30 Culto da Noite
Local: Templo
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09:00 Culto da Manha
Local: Templo
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15:00 Culto da Tarde
Local: Templo
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19:30 Culto da Noite
Local: Templo
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09:00 Culto da Manha
Local: Templo
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15:00 Culto da Tarde
Local: Templo
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19:30 Culto da Noite
Local: Templo
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17:00 Culto da Tarde
Local: Templo
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19:30 Culto da Noite
Local: Templo
Obs:
09:00 Culto da Manha
Local: Templo
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16:45 Culto da Tarde
Local: Templo
Obs:
19:00 Culto da Noite
Local: Templo
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